Soma 3DCalcular grátis

SOMA 3D · CUSTOS E PRECIFICAÇÃO

Como calcular custos e precificar uma impressão 3D

Precificar uma peça começa pelo custo completo de produzi-la e termina pela conferência do que sobra depois da venda. Este guia apresenta cada etapa, um exemplo numérico e os limites de uma simulação. Os valores são hipotéticos: use seus próprios dados e confira as condições atuais do canal em que vende.

Como calcular o custo de uma impressão 3D?

Some material, energia, uso e manutenção da máquina, mão de obra, preparação, acabamento, embalagem e uma provisão de perdas baseada no seu histórico. Depois acrescente os custos da venda e defina a margem sobre o preço, sem contar duas vezes uma mesma despesa.

1. Filamento, custo por grama e consumo real

Converta o preço do quilo para custo por grama: preço do rolo ÷ 1.000. Multiplique pelo consumo total daquela peça. Exemplo hipotético: um rolo de R$ 120/kg custa R$ 0,12 por grama; 80 g custam R$ 9,60. Faça a conta com o preço que você pagou pelo material, incluindo eventual frete de compra se decidir alocá-lo ao rolo.

Use o peso indicado pelo fatiador. Se ele já considera suportes, brim, purga e estruturas de adesão, esses gramas já fazem parte do total. Se estiver usando apenas o peso do modelo, acrescente o consumo auxiliar estimado. Ao produzir um lote, divida o material total pelas unidades aprovadas.

2. Suportes, desperdícios e falhas

Suportes e purgas são material consumido e devem entrar uma vez na conta. Desperdício de corte, pontas de filamento e peças de teste podem ser acompanhados por lote. Não some um percentual genérico por cima de um peso do fatiador que já inclua todo esse material.

Para estimar falhas, registre custo e quantidade aprovada. Se tentativas comparáveis custarem R$ 100 ao todo e gerarem oito peças aprovadas, o custo médio de produção por peça boa é R$ 12,50. Uma provisão percentual pode servir como aproximação quando o histórico é curto, mas identifique-a como estimativa e revise-a com dados próprios.

3. Energia, depreciação e manutenção

Energia estimada = potência média em watts ÷ 1.000 × horas × tarifa em R$/kWh. No exemplo hipotético, 150 W médios × 3 horas × R$ 1,05/kWh = cerca de R$ 0,47. Potência nominal não é necessariamente consumo médio; medição na tomada torna a estimativa mais representativa.

Depreciação por hora = (preço de compra − valor residual estimado) ÷ horas produtivas previstas. Uma máquina de R$ 2.400 sem valor residual, usada por 4.000 horas produtivas, representa R$ 0,60 por hora; três horas correspondem a R$ 1,80. Manutenção pode ser estimada separadamente a partir de gastos e horas observados. Não inclua o mesmo desgaste nas duas parcelas.

4. Preparação, mão de obra e acabamento

Defina quanto vale sua hora de trabalho e multiplique pelo tempo realmente gasto em preparação, retirada de suportes, acabamento, inspeção e embalagem. Se uma preparação compartilhada leva 30 minutos para um lote de cinco unidades aprovadas, distribua seis minutos por unidade. Some o tempo individual de acabamento de cada peça.

O valor da hora é uma decisão de negócio: considere remuneração desejada e despesas que você escolheu cobrir pelo trabalho. Não trate o exemplo da calculadora como salário recomendado. Separe atividades já incluídas em outro custo para não duplicar valores.

5. Embalagem e outros custos

Some caixa, proteção, etiqueta, acessórios e outros itens efetivamente usados. Custos de software, aluguel ou despesas administrativas podem ser distribuídos por produto, lote ou período, desde que o método seja coerente. Uma taxa fixa do pedido é diferente de um custo por peça: defina a unidade de venda antes de ratear.

Se você paga parte do frete, registre somente a parcela que fica com sua operação. Não conte de novo frete, embalagem, manutenção ou preparação já incorporados em outro campo.

6. Taxas, impostos e tarifa fixa

Consulte os valores aplicáveis à sua conta, anúncio, categoria, campanha e pedido. O Soma 3D não consulta taxas de Mercado Livre, Shopee ou TikTok Shop automaticamente. Informe manualmente os percentuais e a tarifa fixa conforme as condições atuais exibidas pelo próprio canal. A base de cobrança de cada encargo pode variar.

A fórmula abaixo supõe que comissão, imposto e margem usam o mesmo preço de venda como base. Quando a base for diferente, ajuste a conta com seu contador ou com os valores efetivamente cobrados. Não use uma taxa genérica publicada neste guia como condição vigente do marketplace.

7. Custo, preço, lucro, margem e markup

Custo é o que você gasta para produzir e vender uma unidade, conforme o que incluiu na sua conta. Preço é o valor cobrado. Lucro estimado é o que resta depois dos custos considerados. Margem é lucro dividido pelo preço. Markup é o acréscimo sobre o custo. Faturamento não é lucro.

Com custo de R$ 20 e preço de R$ 30, o lucro antes de outros gastos não incluídos é R$ 10, a margem é 33,33% e o acréscimo sobre o custo é 50%. São medidas diferentes e devem ser nomeadas com clareza.

8. Exemplo completo: do custo ao preço

Exemplo hipotético para uma unidade: 80 g de filamento a R$ 120/kg = R$ 9,60; energia = R$ 0,47; depreciação = R$ 1,80; reserva de manutenção = R$ 0,90; 14 minutos de trabalho a R$ 24/h = R$ 5,60; embalagem = R$ 2,50. O custo de produção estimado é R$ 20,87. Uma provisão ilustrativa de 8% para perdas acrescenta R$ 1,67, totalizando R$ 22,54.

Suponha ainda, apenas para demonstrar a fórmula, tarifa fixa de R$ 4, comissão de 14%, imposto de 6% e margem desejada de 20%. Se todos os percentuais incidirem sobre o preço: preço = (R$ 22,54 + R$ 4) ÷ (1 − 0,14 − 0,06 − 0,20) = R$ 44,23. A R$ 45, a sobra estimada seria R$ 9,46, ou cerca de 21% do preço, antes de despesas que não entraram na conta. Os percentuais deste exemplo não representam taxas atuais de nenhum marketplace.

Preço mínimo e preço recomendado

Preço mínimo é o valor que cobre os custos e encargos incluídos, sem necessariamente remunerar o negócio de forma suficiente. Preço recomendado na simulação é o valor que alcança a margem que você informou, com as hipóteses escolhidas. Nenhum deles garante que o produto será vendido.

Compare a referência calculada com produtos realmente comparáveis, o acabamento, a personalização, o prazo e a procura. Se o preço viável ficar acima do que o cliente aceita, reavalie processo, lote, custo ou proposta de valor; não esconda o problema reduzindo o custo registrado.